Mama Brega Afronta em CorNÓpolis
enquanto os dinossauros passeiam no palácio crianças pastam no esgoto a céu aberto dentro da escola sem lei que proíba a barbárie nem corrupto que se manifeste dentro da cidade o canal vomita fezes segundo por segundo nele despejadas enquanto ouvia sebastian moreno mama bravejava muito além da janela enquanto a tropofonia lhe entrava ouvido a dentro e seu corpo estremecia brazílica pereira em cornópolis dos goytacazes a faxineira que arruma a casa como se a cidade fosse o quintal da lapa do encravo onde nem tudo são flores e mama sabe que os girassóis não cheiram rosas nem lírios nascem no jardim enquanto ela amamenta seus gatos como se filhos fossem e berra contra litle boy o filho da cachorra de guarus onde a miséria sub/humana sustenta os fantasmas da opereta pelos telhados de vidros gora aos quatro ventos morcegos e vampiros chupam comem roubam carne sangue nervos pernas braços mama não se entrega nem dá trégua aos evangélicos de plantão que tentam lhe vender inferno e céu
como se ela não soubesse que ateus já foram e mateus agora bíblia entre os punhos vendem até a mãe o pai irmão o filho e o espírito que não tem decididamente mama não tem papas muito menos padres bispos nem igrejas sua fé é carnaval sabe que no corpo mora a fome mas também a farra a festa sua língua uma navalha sua dor uma floresta reparte o gozo e o fruto com suas plantas e bichos carlos Gardel Buenos Aires chorava no seu canto Nelson gonçalves mama ouve e seu vermelho é 27















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