
Aldeia AfroTupy
A nossa Aldeia Afrotupy, linguagem sonora e poética, é a força que de alguma forma nos coloca fora do controle deste atual sistema. Sistema este que, transforma indivíduos em meros reprodutores desta tola e apodrecida ordem social que a nova configuração do capitalismo nos impõe.
Estamos claramente nos contrapondo a este modelo, porque ele nos nega a eixstência de outra possibilidade de vida em sociedade, e estabelece o absoluto, quase sempre de forma sutil e sorridente, mas carregada intrinsecamente de perversões e crueldade. Somos detentores de uma outra possível vida social, de um outro olhar sobre o mundo, de uma outra estética, que é baseada no nosso modo de vida mestiço, vivenciado nos subterrâneos invisíveis do Brasil.
Somos guerreiros suburbanos, onde aprendemos a nossa sonora aldeia AfroTupy.
A nossa aldeia é, sem medo, uma noção particular de um Brasil rejeitado, de um Brasil periférico que construiu um olhar dinâmico de si mesmo, e negamos com veemência o Brasil branco republicano que é dominado e reprodutor tenaz de um modelo político econômico cultural alicerçado nas forças globais, com raízes num conhecimento dominante e acadêmico que se constitui num novo colonialismo.
A nossa Aldeia AfroTupy, é potência, é arte e é afeto. É uma enorme gama de movimentos pessoais e coletivos do tamanho do sonho. É a liberdade e interação dos mundos material e espiritual. É a fé no recolhimento para o conhecimento que produzirá energia vital para os infinitos ciclos evolutivos que estão por vir.
A nossa Aldeia canta, dança, fala, tem cor e isto nós dá a esperança. E assim vivemos esta nossa Aldeia AfroTupy. ( Marko Andrade)