Artur Gomes & Gumes - Meu coração Marçal Tupã Sangra Tupy & Rock And Roll


10/03/2007


Met/Áfora 2

 

não me verás lugar algum enquanto os dentes não forem postos e na mesa tenha espaço para todos esse país que atravesso corpo devasso grito na cara do silêncio na boca dos escravizados eu que venho das profundezas desse tempo escuro onde as caras soterradas no asfalto onde os homens de verde desejavam chumbo sobre nossas palavras não me verás lugar algum o rosto que em mim verás agora é uma máscara que o tempo se encarregou de moldurar sobre o pescoço.

 

Artur Gomes

http://arturgumes.zip.net

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por artur gomes às 08h34
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Met/Áfora 1

 

onde a lua se esconde

por de trás da mata

e as cahoeiras cantam

quando tocam pedras

é lá onde ela mora

com teus cabelos de ouro

e me banha pele e couro

onde amanheço Ágora

 

Artur Gomes

http://arturgumes.zip.net

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por artur gomes às 08h26
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Unplugged(não ria é sério)

 

quero botar no teu orkut

um negócio sem vergonha

um poema descarado

ta chegando fevereiro

e meu Rio de Janeiro

fica lindo mascarado

 

quero botar no teu e-mail

um negócio por inteiro

que eu não sou zeca baleiro

pra ficar cantando a mama

que ainda tem medo do papa

 

meu negócio é só com a mina

que me trampa quando trapa

meu negócio é só com a mina

que me canta ouvindo o  rappa

 

Artur Gomes

http://arturgumes.zip.net

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por artur gomes às 08h21
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09/03/2007


Aldeia AfroTupy

 

A nossa Aldeia Afrotupy, linguagem sonora e poética, é a força que de alguma forma nos coloca fora do controle deste atual sistema. Sistema este que, transforma indivíduos em meros reprodutores desta tola e apodrecida ordem social que a nova configuração do capitalismo nos impõe.

Estamos claramente nos contrapondo a este modelo, porque ele nos nega a eixstência de outra possibilidade de vida em sociedade, e estabelece o absoluto, quase sempre de forma sutil e sorridente, mas carregada intrinsecamente de perversões e crueldade. Somos detentores de uma outra possível vida social, de um outro olhar sobre o mundo, de uma outra estética, que é baseada no nosso modo de vida mestiço, vivenciado nos subterrâneos invisíveis do Brasil.

 

Somos guerreiros suburbanos, onde aprendemos a nossa sonora aldeia AfroTupy.

 

A nossa aldeia é, sem medo, uma noção particular de um Brasil rejeitado, de um Brasil periférico que construiu um olhar dinâmico de si mesmo, e negamos com veemência o Brasil branco republicano que é dominado e reprodutor tenaz de um modelo político econômico cultural alicerçado nas forças globais, com raízes num conhecimento dominante e acadêmico que se constitui num novo colonialismo.

A nossa Aldeia  AfroTupy, é potência, é arte e é afeto. É uma enorme gama de movimentos pessoais e coletivos do tamanho do sonho. É a liberdade e interação dos mundos material e espiritual. É a fé no recolhimento para o conhecimento que produzirá energia vital para os infinitos ciclos evolutivos que estão por vir.

 

A nossa Aldeia canta, dança, fala, tem cor e isto nós dá a esperança. E assim vivemos esta nossa Aldeia AfroTupy. ( Marko Andrade)

Escrito por artur gomes às 11h50
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Metáfora

 

cavalo passo em tua janela e sem rédeas arreios ou celas alazão que sou de selvagens pradarias lagarto a soltar a pele depois de 40 dias me verão eu tigre expulso das jaulas farejando a caça pelos becos das tardes onde estão os alucinados da cidade  enquanto ardendo ao sol a carne do meu corpo de estrelas cadentes e luas menstruadas despeja sobre teus olhos uma enchurrada de palavras como as cachoeiras que ainda não conheces e delas ainda não provou do líquido que teima em escorrer entre as tuas coxas onde minha língua há de beber um dia em que os sentido me despertem e eu vá olhar os lírios nos pântanos.

 

Artur Gomes

http://jurassecretas.zip.net

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

Escrito por artur gomes às 11h46
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08/03/2007


Mulher

 

Se bem-me-quer

Bem-te-vi

Bem-te-quero

Sempre aqui

 

Artur Gomes

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Escrito por artur gomes às 12h41
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07/03/2007


Mulher,

Meu poema

se completa

em teu vestido

roçando tua carne

no algodão tecido

 

meu ofício é de poeta

pra rimar poema e blusa

e ficar em tua pele

pelo tempo em que me usa.

 

Artur Gomes

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

 

Escrito por artur gomes às 18h38
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vanessa alcântara

Só as mulheres podem desarmar a sociedade, elas já são desarmadas pela natureza: nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por revólveres, espadas... Ninguém lhes dá, na infância, uma arma de plástico. Detestam sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam guerras, ou gangues, porque lhes tiram os filhos e os colocam na marginalidade. É preciso voltar os olhos p/a mulher como a grande articuladora da paz.
E p/começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher: às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa, aos seus seios que perderam a firmeza porque  amamentaram filhos ao longo dos anos, ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.
São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas, valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e de seus corações.
Nem toda feiticeira é corcunda.Nem toda brasileira é só bunda.

 

Rita Lee

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por artur gomes às 18h23
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Ind/Gesta

 

e fome negra incessante

febre voraz gigante

ê terra de tanta cruz

 

onde se deu primeira misa

índio rima com carniça

no pasto pros urubus!

 

Artur Gomes

http://arturgumes.zip.net

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

Escrito por artur gomes às 10h23
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Artur, meu velho: que bom que você vai reinserir algumas faixas do Fulinaíma no novo cd. Há obras-primas ali, e Noite Escura, com o canto do Reubess e a tua entoação do poema é um obelisco-de-formação desse Brasil que nunca muda. Você manda muito bem, energiza as palavras, tem domínio da fala. Estou ouvindo e reouvindo muito teu cd. Gosto também daquela (não lembro o nome): "juntei meu goytacá seu guarani/ tupi or not tupi / não foi a língua que ouvi / na sua boca caiçara". É genial. Um quebra-queixo, cerra-dente, trava-língua mântrico, a grande possibilidade miscigenatória que não aconteceu (aliás, o genocídio prossegue: você leu matéria na Folha de São Paulo sobre alcoolismo, drogas e suicídio entre os índios do Mato Grosso do Sul? O horror, o horror. Jogam fora os pajés e suas ervas medicinais e nos vendem planos de saúde pelo telefone, como diz Marcelo Montenegro). Gosto muito também de Vie en Bleu. Enfim, gosto do cd inteiro. Se teve tiragem pequena acho que você deveria relançá-lo com uma tiragem de gente grande. Muitos mais precisam ouvir esse trampo. Aliás, por que você não disponibiliza faixas no teu site? É fácil, em mp3. Enfim, fico no aguardo da nova gravação. Grande abraço, hermano. Quando vier a São Paulo dê um alô. Temos muito o que conversar.

Ademir Assunção

http://zonabranca.blog.uol.com.br

 

Escrito por artur gomes às 10h03
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05/03/2007


itaipava

 

então fosse em petrópolis

mas não fosse pietra

tua boca aqui

em tudo quanto pétala

e minha língua

em tua pele

quente na saliva

e teus seios

que deslizam

na palma

das minha mãos

na textura dos meus pêlos

e esta cidade de pedras

em nossa carne

de fogo

queima arde goza

pelas fendas onde for

quando toco em tua rosa

e tudo em nós

é beija-flor

 

Artur Gomes

http://arturgumes.zip.net

http://almadepoeta.com/fulinaima.htm

 

 

 

 

 

Escrito por artur gomes às 19h31
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